sábado, 20 de dezembro de 2014

Quando os anos terminam deixam sempre aquela sensação de "você deveria escrever uma lista de desejos para o ano que vem" ou "quais são os proximos planos?" e obrigatoriamente um "o que você aprendeu com esse ultimo ano?".

Mas e se ao invés disso você simplesmente esquecesse os planos? E se deixasse as lições pra serem aprendidas diariamente, não só em dezembro? E se a meia noite do ultimo dia de cada ano você apenas desejasse SER FELIZ por 365 dias? Sem grandes expectativas (evite decepções) e sem arrependimentos (pare de se culpar pelos acasos da vida). Apenas deixar "o que tiver que ser" acontecer sem as grandes tensões que a gente carrega e as vezes nem sente... Talvez essa seja a chave para que o Happy New Year seja realmente Happy. TAKE IT EASY
Esses dias eu li em algum lugar a frase "A cada vez que você ignorá-la, vai estar ensinando-a a viver sem você". Tecnicamente, você não me "ignorou"... Mas de tanto viver sem ter você por perto acho que acabei me acostumando e aceitando tudo. Essa proximidade toda de ultimamente é tão estranha pra mim, ter você fazendo tudo o que sabia que precisava ter feito mas que não fez por tanto tempo que já nem sabia mais o por que daquilo, ter sua atenção com tanta frequencia depois de me acostumar a passar dias com uma mensagem ou duas... Tudo isso foi tão doloroso quanto te perder mesmo. Por que eu não quero passar mais e mais vezes por tudo isso. Tenho muito medo de que no final tudo aconteça exatamente da mesma forma. E talvez esteja encerrando a historia por medo mesmo... Medo de que você nunca mais volte a ser a pessoa por quem eu me apaixonei, medo de nunca ser boa o suficiente, fazer o impossivel e mesmo assim não conseguir merecer a sua dedicação, medo nunca mais vivermos nossa vida de sonhos... E medo de que todo o sofrimento volte e me afogue de vez. Isso está acabando comigo.
Antes de qualquer coisa queria que você soubesse que tudo o que nós vivemos, não nessa fase horrível em que estamos agora, mas no nosso relacionamento de forma geral, é exatamente tudo o que eu esperava viver pro resto da minha vida. Tudo o que nós planejamos era incrivelmente perfeito e era tudo tão real pra mim que quando tudo começou a piorar entre nós, eu senti como se o meu futuro não existisse mais e eu pudesse morrer a qualquer momento por que a vida não faria mais qualquer sentido... Como se tudo fosse ficando mais vazio a cada dia até chegar ao vazio que eu sinto hoje. Por mais que você não percebesse, eu sempre fiz o maximo pra facilitar as coisas. Mais até do que eu deveria, mais do que eu podia e isso sempre me deixou esgotada, mas nada era mais gratificante do que saber que você estava bem, que você estava tranquilo e se não houvesse problemas pra você, não exitiria nada capaz de me incomodar. Porém chegou ao ponto em que eu já não suportava mais continuar dando o máximo, tentando te encontrar na falta que você fazia, tentando te procurar quando você estava ocupado demais, tentando arrumar um jeito de chamar a sua atenção quando você já não me enxergava mais. E não tem nada pior, disso eu sei, do que ter de se contentar com o pouco que sobrou de algo que já foi tão imenso. Hoje eu só consigo olhar pro que a gente era até fevereiro, por que não tem nada mais de nós mesmo nesse ano horrivel. Era pra ser nós dois, era pra eu te ajudar, não te atrapalhar (e é assim que eu me sentia/sinto toda vez que tenho que te convidar pra algo, te pedir pra passar um dia comigo, te ligar ou mandar mensagem num momento em que eu sei que você vai estar ocupado etc), era pra ser o nosso sonho juntos se realizando... não algo só seu. Você diz o tempo todo que se trata de nós dois e você pensa em mim e em cuidar de mim da melhor forma possivel no futuro. Mas e no presente? Você não me deixou te ajudar, nada além do que o realmente necessário. Parecia que nós eramos estranhos, concorrentes, inimigos ao invés de duas pessoas lutando pelas mesmas coisas... E não era assim que era pra ser. Você sempre agia como se estivesse cansado demais, ocupado demais, estressado demais, estudando demais, dormindo de menos. Você não tem noção de como eu adimiro todo o seu esforço, sua força de vontade, sua garra e tudo o mais. Eu acho tudo isso incrível. Mas era pra eu te fazer se sentir melhor... não ser um peso nas suas costas ou uma obrigação nos sabados a noite. Nós passamos por situações horríveis ultimamante. Julho e agosto foram horríveis pra você? Imagina pra mim... Março, abril, maio, junho e mais esses dois meses, quando eu já não estava mais aguentando nem passar 15 minutos no telefone sem chorar idiotamente quando a gente desligava e sem poder te falar nada por que você provavelmente diria algo como "você só sente a minha falta por que não está estudando o suficiente" ou "outras pessoas passam pelo que a gente passa tambem". Você me disse tanto essa ultima frase que chegou ao ponto de eu começar a me perguntar se era apenas eu a unica pessoa fraca que não suportava viver essa situação mas que continuava me torturando. Eu não me importo com o sofrimento. Eu poderia morrer vivendo esses meses mais um milhão de vezes... Mas essa história chegou ao ponto em que todas as pessoas que eu sei que não quereriam nada de mal pra mim (e nem pra você, você sabe) começaram a me dizer que eu estava sozinha nessa. E eu sei, você sabe, eu realmente estava. Quantas vezes eu cheguei a iniciar a tentativa de convidar você pra algo? Qual era a sua resposta sempre? E como você se sentiria se eu te respondesse sempre "não"? Como você agiria se o grande amor da sua vida sempre te dissesse que prefere passar tempo vivendo alheio a você. Lendo textos, dormindo na casa de amigos, rindo com outras pessoas, conversando sobre qualquer assunto com outras pessoas, fazendo planos pros fins de semanas e saindo com outras pessoas. Sem você. Sem se importar com o que você fizesse, com o que quisesse, com o que pensasse sobre tudo isso. Você olha pra tudo que acontece agora. Mas precisa entender que eu já passo por isso tudo há mais tempo. Eu já estou sofrendo tanto há tanto tempo com a morte (morte?) dos nossos sonhos, planos e (quem sabe?) dos nossos sentimentos que me acostumei. E quando acostuma... A gente passa a simplesmente não se importar mais.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Nada se compara, nenhuma preocupação ou cuidado. Arrependimentos e erros, são feitos de memórias. Quem poderia ter adivinhado o gosto amargo que isso teria?

Longe de Ti

Quando longe de ti eu vegeto, Nessas horas de largos instantes, O ponteiro, que passa os quadrantes, Marca séculos, se esquece de andar. Fito o céu — é uma nave sem lâmpada. Fito a terra — é uma várzea sem flores. O universo é um abismo de dores, Se a madona não brilha no altar. / Então lembro os momentos passados. Lembro então tuas frases queridas, Como o infante que as pedras luzidas Uma a uma desfia na mão. Como a virgem que as jóias de noiva Conta alegre a sorrir de alegria, Conto os risos que deste-me um dia E que eu guardo no meu coração. / Lembro ainda o lugar onde estavas… Teu cabelo, teu rir, teu vestido… De teu lábio o fulgor incendido… Destas mãos a beleza ideal… Lembro ainda em teus olhos, querida, Este olhar de tão lânguido raios, Este olhar que me mata em desmaios Doce, terno, amoroso, fatal!… / Quando a estrela serena da noite Vem banhar minha fonte saudosa, Julgo ver nessa luz misteriosa, Doce amiga, um carinho dos teus! E ao silêncio da noite que anseia De volúpia, de anelos, de vida. Eu confio o teu nome, querida, Para as brisas levarem-no aos céus. / De ti longe minh’alma vegeta, Vive só de saudade e lembrança, Respirando a suave esperança De viver como escravo a teus pés, De sonhar teus menores desejos, De velar em teus sonhos dourados, “Mais humilde que os servos curvados! “Inda mais orgulhoso que os reis”! / Ó meu Deus! Manda às horas que fujam, Que deslizem em fio os instantes… E o ponteiro que passa os quadrantes Marque a hora em que a posso fitar! Como Tântalo à sede morria, Sem achar o conforto preciso… Morro à míngua, meu Deus, de um sorriso! Tenho sede, Senhor, de um olhar.
CASTRO ALVES

Sonhos de Uma Noite de Verão

LISANDRO — Então, minha querida, por que as faces tão pálidas assim? Qual o motivo de murcharem tão rápido essas rosas? HÉRMIA — Talvez por falta da água que lhes viesse da tempestade dos meus próprios olhos. LISANDRO — Oh Deus! Por tudo quanto tenho lido ou das lendas e histórias escutado, em tempo algum teve um tranqüilo curso o verdadeiro amor. Ou era grande do sangue a diferença... HÉRMIA — Oh sofrimento! Nascer no alto e aceitar o cativeiro! LISANDRO — ... ou mui disparatadas as idades... HÉRMIA — Oh dor! Unir-se a mocidade às cãs! LISANDRO — ... ou tudo os pais, sozinhos, decidiam... HÉRMIA — Não há maior inferno: estranhos olhos para escolher o amor! LISANDRO — ... ou, quando havia simpatia na escolha, a guerra, as doenças, e a morte, conjuradas, o assaltavam, qual simples som deixando-o, transitório, tão curto corno um sonho, movediço como uma sombra instável, tão ligeiro como raio de noite tempestuosa que, de súbito, rasga o céu e a terra, mas que antes de podermos dizer “Vede!” pelas fauces das trevas é tragado. Tudo o que brilha, assim, em ruína acaba. HÉRMIA — Se sempre contrariados foram todos os amantes sinceros, é que o próprio destino o determina desse modo. Que nos ensine, pois, a ser pacientes a nossa provação, já que é desdita fatal dos namorados, como os sonhos, pensamentos, suspiros, dores, lágrimas, do pobre amor são companheiros certos. LISANDRO — Isso consola. Porém, Hérmia, escuta-me: a sete léguas, só, de Atenas mora minha tia, uma viúva muito rica que, por filhos não ter, me considera seu herdeiro exclusivo. Em casa dela, minha Hérmia encantadora, poderemos casar-nos, por ficarmos, então, fora das rigorosas leis dos atenienses. Se me amas, foge da mansão paterna na noite de amanhã. No bosquezinho a uma légua distante da cidade deverás encontrar-me, justamente onde uma vez te vi em companhia de Helena a realizar os sacros ritos de uma manhã de maio. HÉRMIA — Meu bondoso Lisandro, eu juro pelo mais potente arco do deus Cupido, por sua seta melhor de penas de ouro, pelas meigas pombas de Vênus, pelo que une as almas e confere ao amor virentes palmas, pelas chamas em que se abrasou Dido após abandoná-la o Teucro infido, pelas juras que a todos os instantes violado têm os homens inconstantes, mais do que numerosas, infinitas, do que as que foram por mulheres ditas: amanhã, sem faltar, no grato abrigo de que falamos, estarei contigo. William Shakespeare

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Como posso eu, longe de ti
Continuar a existir
Me obrigar a respirar
Meu coração a pulsar
Meu cérebro a raciocinar
Meu olho a ver
Meu sangue a correr

Em minha veia corre você
E sem você o tempo não corre
Me escorrem os dias, o sangue, a vida
Só você não raciocina, não pulsa, não corre, não vê

(Celina Knust)